Matanza: Jimmy profundamente arrependido de não conversar com Lemmy, do Motörhead
Postado em 28 de março de 2017 @ 09:35 | 2.620 views


Entrevistamos mais uma vez o vocalista do Matanza, Jimmy London. Em sua terceira passagem pelo Heavy Talk, Jimmy falou de um assunto pouco conhecido: o dia em que não foi falar com Lemmy Kilmister, baixista e vocalista do Mötorhead de quem é fã declarado.

Na conversa, abordamos diversos outros assuntos, como a recepção do novo baixista Donny Escobar, a previsão de um próximo disco e os diferentes públicos ao redor do Brasil. Sobre a questão do Motörhead, Jimmy disse que já conheceu e tirou foto com Lemmy mas, quando teve a oportunidade de conversar de maneira mais aprofundada com ele, não quis incomodar. O líder do Motörhead (uma das mais óbvias influências do Matanza) estava na época com um princípio de pneumonia. Veja abaixo a entrevista completa:

 

 

Heavy Talk: A turnê do Pior Cenário Possível trouxe a estréia do Donny na banda. Eu gostaria de saber como você avalia essa aquisição na equipe nos últimos 2 anos e como os fãs vêm reagindo a essa troca no line-up do Matanza?

Jimmy: Depois que a gente deixou de ter o Donida no show, na maioria dos shows, e começou a ter o Nogueira… A partir do momento que deixou de ter o cara que fundou a banda comigo, que é cara que faz todas as músicas, que é o responsável intelectual do Matanza, a gente deixou de ter um pouco de pudor. Porque bem ou mal, ninguém seria mais difícil de mudar. Tanto pela imporância dentro da banda quanto no jeito de tocar, porque o Donida tem um jeito bem diferente de tocar… Autodidata e bem diferente. Então é basicamente isso. Baterista é um lance que a gente sabe que tem que trocar a cada 7 ou 8 anos no máximo, porque fica velho. Baterista é tipo carro, sabe, baterista não é músico [risadas]

Jonas [baterista]: Tô jovem ainda, vai tomar no cu porra!

Jimmy: Baterista é um objeto, não é um músico… Vai ficando velho…

Jonas [baterista]: Daí fica bebum e interrompe a entrevista dos outros.

Jimmy: A gente já teve a alteração que seria a mais complexa e todas. Então a gente fica menos preocupado com isso. Sábado que tem show de novo, vai ser maneiro esse baterista novo que a gente vai estar… né? Não, mas sério, o Donny é um cara maneiro pra caralho, que tem outra….Na real o China era do lado heavy metal da banda, né? Que é formada pelo Donida e o Maurício. E tinha o China também, é a galera que parece que só ouviu Slayer na vida e mais nada. Foi maneiro o Donny vir porque ele ouve também uns rockabilly, psychobilly uns country tipo eu. Vem mais um pro meu time. Não é esses metaleiro imprestável não.

Heavy Talk: Vocês no início do mês gravaram em estúdio um cover de Motörhead, que é uma banda que vocês são assumidamente fãs. Então eu queria saber se isso vai ser lançado junto com um novo CD que o Matanza possa vir a lançar em 2017 e qual foi o impacto que a morte do Lemmy teve para vocês?

Jimmy: O Motörhead é pra uma coletânea que vai sair na Europa, no Japão, de uma galera irada. Vai ter Hatefull, acho que vai ter o Korzus, todas as bandas aqui do Brasil, uma galera toda, acho que o Raebelliun daqui também. Todo mundo, os metaleiros tudo do Brasil, uma coisa bem maneira, cada um fazendo uma música.

Heavy Talk: Então CD do Matanza não está programado para 2017?

Jimmy: Não, acho difícil a gente fazer um CD esse ano. Até porque, na verdade, a gente sempre começa a fazer um CD bem antes dele sair. Tipo no ano anterior mesmo. Começar eu quero começar, mas provavelmente ele vai acabar ficando pronto e sair em 2018. Já demorou mais até para fazer alguns discos. A morte do Lemmy é complicada, irmão. Eu tento muito separar essas admirações pela criação, e não sei o que, do cara também em si. Senão a gente começa a pirar nos lances. Vou te falar? Eu me arrependo profundamente… A gente abriu para o Motörhead algumas vezes. E aí teve uma vez que a produtora gente boa deles falou “po, vocês não querem ir lá falar com o Lemmy?“. Eu me lembro que a gente fez tudo, vinil, disco, camisa, tudo que a gente tinha eu mandei pra ele e eu falei “po, não quero não“.

Heavy Talk: Por que?

Jimmy: Sei lá, cara. É uma referência absurda. Isso rolou comigo uma vez também quando perguntaram se eu queria entrevistar o Slayer. E eu falei “não quero, não“. Porque eu vou ficar perguntando pros caras… Porque eu não sou… Se eu fosse um jornalista, obvio que eu quero. Mas eu não faço isso da vida. É uma parada que eu faço às vezes, mas amadorísticamente. Aí o cara “você quer entrevistar o Slayer?” e eu falei “não, cara“. Ou eu vou ficar perguntando parada ridícula, tipo “caralho, que amp e que microfone você usou no Raining Blood…” sacou? O que que eu vou falar pros caras?

Heavy Talk: Eu vou te dar meu whatsapp. Quando acontecer isso manda pra nós.

Jimmy: Haha, cara depois eu acabei até entrevistando o Kerry King. mas quando rolou um lance de “mermão, vai lá você sozinho e entrevista o Slayer lá” eu vou te falar que amarelei. Como com o Lemmy. Não que eu amarelei, meio que evitei… Me arrependo profundamente, na verdade. Fiquei com lance de “po, não vou lá encher o saco do cara“, eu já tinha aberto o show, ia ficar lá de banda babona. E no final das contas eu me arrependi profundamente. Óbvio que eu devia ter ido. Eu já conhecia ele, já tinha foto e não sei o que. Mas nunca tinha trocado ideia com o cara. Eu me lembro que ele tava doente, também. Tava fodido, com início de pneumonia tocando em Recife, bem fodido já de diabetes como ele era. Então tava meio climão, também. Não fui tão idiota assim.

Heavy Talk: Vocês fizeram uns shows do Matanza Beer Fest e eu queria saber se vocês querem explorar mais isso agora em 2017?

Jimmy: A gente gosta da ideia de eventos. De fazer uma parada e ser maneiro pra todo mundo, ser mais do que um show. Quando rola um evento é mais maneiro, a galera tá mais amarradona. A gente sente o clima melhor. Como a gente faz o Matanza Fest, como a gente começou a fazer bastante Halloween também, são coisas que a gente faz pra dar uma variada até pra gente, saca? Se não a gente fica o ano inteiro fazendo a mesma coisa. É bom, pra nossa produção é maneiro, pro nosso público é maneiro. A gente vem duas vezes por ano nas principais capitais. Aí tu vai duas vezes por ano com o mesmo show, com a mesma parada? Beleza, você pode mudar o setlist, mas continua sendo só nós quatro tocando. Então mexer nisos um pouco é maneiro. Criar uma parada legal é ótimo.

Heavy Talk: Você falou em revigorar a energia da banda. Hoje o show é em Porto Alegre e você já falou em outras entrevistas que Porto Alegre é uma capital que dá uma energia, um gás pra banda que é revigorante.Depois de tanto tempo de banda você ainda consegue identificar diferentes características por regiões do país, um lugar onde os fãs são mais loucos, outro que tem uma vibe mais enérgica, uma que a galera é mais na manha? Hoje eu encontrei até família aqui, eu entrevistei uma pessoa na fila… Uma senhora que veio com a filha e um outro cara que trouxe também as crianças… Sei lá, umas molecas de 14 anos, não sei.

Jimmy: Regiões não. Tem cidades que eu sei onde a gente tá pela vibe, tem cidades que tem vibes diferentes. porto Alegre tem uma vibe muito boa. O show de Porto Alegre é um show com uma vibe boa assim da galera vir junto e gostar de ver a getne se divertindo, com um astral leve sabe? Tem alguns lugares que o astral é mais porradaria. É bom também! Até porque aqui sempre é no domingo, é cedo… Então tem muito a ver com essa vibe que rola aqui no Opinião também. A gente sente muita diferença, por exemplo, de show de capital para show de interior, tem muita diferença. A getne sente muita diferença nos lugares que a gente vai mais e nos lugares que a gente vai menos.E tem lugares que tem vibes diferentes, tipo casa de show. Tipo o Circo Voador no Rio de Janeiro. É um lugar que tem uma vibe própria, sacou? Lá no Circo, ele é em formato de arena, então a galera fica muito próxima da gente. Então é uma pressão de fazer um show porradaria… Do caralho! Mas é aquele lance do Circo, sacou? Você fica muito perto de muita gente.

Heavy Talk: Obrigado mais uma vez por ter falado com a gente de novo.

Jimmy: Imagina, maior prazer!

Heavy Talk: Para encerrar… O Brasil está passando por uma situação econômica, política, e até musical bastante complicada. Como você é a encarnação do amor, da harmonia e do otimismo, mande uma mensagem de esperança para o fã do Matanza que nem cerveja tá conseguindo comprar?

Jimmy: Tá foda, rapaziada, tá foda. Tá foda pra caralho! É…. vocês querem saber? Fica tranquilo que piora, tá? Boa noite, esse foi o Matanza.

 

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Formado em jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) desde 2014, iniciou a jornada nesse meio colaborando em diversos sites especializados em rock e heavy metal ainda em 2007. Fundador do Heavy Talk.

 
Categoria: Entrevistas · News
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