Junior Carelli: Empreender na música e o diferencial do tecladista
Postado em 27 de junho de 2016 @ 19:24 | 147 views


O tecladista Junior Carelli, do Shaman e Noturnall, fala em entrevista exclusiva ao Heavy Talk sobre de que forma é possível viver de música nos dias atuais e sobre empreendedorismo no meio artístico.

 

 

Existe um trabalho seu com a Foggy, que é uma produtora de vídeos, e eu gostaria que você explicasse como começou o interesse em trabalhar na parte audiovisual e ingressar nesse mercado aí.

Junior Carelli: Eu sou formado em rádio e TV e publicidade. Então como um bom músico que quer viver da música autoral, a gente abriu as portas pra se virar. Eu já tinha me formado em conservatório de música, então abri o leque, fui me formar em algo que eu poderia agregar em algo mais pra frente. Comecei a fazer rádio e TV, cinema, publicidade… E quando eu me formei eu e meu sócio, Rudi Campos que estudou comigo, a gente abriu a Foggy e deu certo. A produtora foi bem com entretenimento pra internet. Hoje a gente tem um dos maiores canais de pegadinhas da internet…

Qual é?

Junior Carelli: O Na Sarjeta.

Ah, é de vocês?

Junior Carelli: É nosso. A produtora tem um monte de trampo internacional, um monte de coisas legais, a gente tá com ela há 5 anos já. E hoje estamos aí dando uma força pro grande Hangar, banda histórica do metal nacional do nosso irmão Aquiles.

E além do Hangar vocês gravaram também um DVD do Sonic Stomp.

Junior Carelli: Essa semana! Semana passada o DVD do Sonic Stom, que eu estava tocando e gravando.

E um clipe do Avantasia.

Junior Carelli: O Avantasia a gente gravou um show inteiro e agora soltamos só um clipe, porque tem a parte burocrática rolando, mas estamos com o material pra fazer o DVD do Avantasia.

E como foi o contato com essas bandas internacionais? Como o Tobias, por exemplo, chegou até a produtora?

Junior Carelli: O engraçado é que o Tobias na verdade queria gravar alguma coisa aqui no Brasil porque gosta muito do público. Ele ouviu falar da gente e me ligou! Falando “Você que é o tecladista do Noturnall que tem uma produtora? Você tá muito bem falado aqui, vamos fazer”. Aí a gente fechou um negócio legal e fizemos o DVD do Avantasia lá no Espaço das Américas. Foi muito sensacional, o Tobias é um cara muito do bem. É um cara muito correria, e isso é muito importante. A gente vê esses gringos aí e acha que tem um monte de gente que corre por eles, mas é o Tobias que faz tudo cara. Ele é o correria tipo a gente aqui no Brasil, mesma história. Ele é um grande empreendedor da música, foi um exemplo muito legal aí ter passado esses momentos com ele gravando.

E como tecladista você foi projetado nacionalmente com o Shaman e depois ajudou a criar o Noturnall. Como foi esse processo?

Junior Carelli: Eu fiquei 7 anos tocando na banda do Pânico na TV, a banda Viva Noite. E aí eu tava com um projeto solo, acabei entrando no Shaman, precisei abandonar o Pânico por causa da agenda. E como todo bom músico de metal, você acaba tendo uma reciprocidade do público como instrumentista maior do que quando você está no pop. Isso acabou dando uma alavancada maior no meu nome como instrumentista do que como “o cara da TV”. Agora eu sou “o cara que toca as coisas difíceis pra caralho” e tal.

Hoje em dia pra uma banda de metal, como existe uma crise geral, há muito corte de gastos. Tem sido comum as bandas não terem mais condições de manter um tecladista e trocam por um notebook. O que faz a diferença para um tecladista não perder o emprego em uma banda e conseguir se destacar?

Junior Carelli: Se o cara for esperto, ele que gravou aquele som no notebook e já ganhou uma graninha ali. O tecladista no rock é essencial e as pessoas não enxergam isso. Porque o rock é guitarra, o visu principal do rock é na guitarra. A partir do momento que você consegue se descolar disso e acabar sendo um frontman, um cara que tem linhas principais na música, um cara que se destaca também pelo visual que passa, pois o público se impressiona com o visual. Não é só aquele cara que fica no fundo parado… Você vê o Fábio Laguna, é um cara que se mexe, tem aquele teclado de molas… Então você vê que os tecladistas que se destacam não se destacam unicamente pelo som. É um conjunto de coisas como qualquer guitarrista. Você vê um guitarrista tocando sentado e parado é diferente de ver um cara que tá agitando. Então acho que a história é a mesma.

E engraçado você tocar nesse assunto, porque eu estou desenvolvendo com a produtora um congresso que é para os músicos, não só do metal, do Brasil inteiro. Os caras que já vivem de música de alguma forma. Por exemplo, eu vivo de música e tenho a produtora. Minha vida é dividida em duas. A gente tá fazendo esse congresso pra mostrar para os músicos que não é só tocar. Por exemplo, o Mike Orlando já deu entrevista pra gente. Um dos 100 guitarristas mais importantes do mundo não vive só de guitarra, ele mixa na casa dele. Então a gente tá fazendo esse congresso para as pessoas terem acesso a esse tipo de informação, e saberem que os ídolos delas não são glamourizados pra caralho. Às vezes o cara se fode pra trampar em outras coisas relacionadas à música pra fazer uma grana. A gente tá dando grandes exemplos para as pessoas conseguirem viver mais de música e pararem de pensar que querem ser o Metallica. O Metallica hoje em dia só o Justin Bieber vai chegar lá.

Houve uma mudança de mercado. Hoje você está aqui trabalhando com o DVD Hangar. Ontem a gente cobriu o show do Oficina G3 e o Rodrigo Silveira, que é baterista do Andre Matos, estava trabalhando operando som. A gente têm visto cada vez mais músicos profissionais de uma banda trabalhando em outro setor em outra por causa dessa mudanças.

Junior Carelli: E os caras dizem que é panela. Não é panela, cara! Quanto mais tempo você fica no mercado, mais o mercado vai te abraçando! Eu sou pianista desde os 15 e desde os 15 eu estou no mundo profissional. Eu estou há 13 anos fazendo dinheiro na música. As pessoas acabam tendo uma proximidade, quando lembram, lembram primeiro de quem é mais velho no mercado. Se você entra, fica 2 anos e vaza, não adianta. Não é uma questão de fazer panela. É uma questão de sobrevivência! Você fica no mercado mais tempo e as pessoas vão te conhecendo.

Tem mais algum projeto futuro pra divulgar?

Junior Carelli: Tem o A.N.I.E., já ouviram falar? É só eu e o Quesada, piana e violão 12 cordas, a gente tá fazendo umas coisas bem legais, vai lançar o disco agora com autorais e dois covers. E uma coisa que eu quero que todo mundo fique esperto é esse congresso que vai sair, vai ser de graça. São 21 caras, o Andreoli vai gravar agora.

Local e data?

Junior Carelli: É 15 de agosto e online! A gente vai liberar os vídeos pra galera assistir de graça e ter acesso a toda essa informação de 21 músicos. O dono da Holland gravou com a gente já! Explicando como funciona o mercado. Vai ser um banho, um balde de informação para você músico, você que quer viver mais de música e não broxar logo. Às vezes o cara vê que é difícil e tem resistência e você vai ver nessas palestras como tem que ser o seu mindset pra você realmente conseguir viver de música.

Muito obrigado pelo seu tempo pra falar com a gente.

Junior Carelli: Obrigado, galera. Heavy Talk, um grande abraço para vocês!

 

 

Web Editor/Journalist / SEO / Web Analyst at Koetz Advocacia and Produtor de Conteúdo at Heavy Talk Past: Cipex Idiomas Tramandaí and Jornal Dimensão Studied Journalism at Unisinos

 
Categoria: Entrevistas · News
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