Como fazemos o Heavy Talk funcionar?
Postado em 07 de novembro de 2016 @ 16:07 | 509 views


É tão difícil trabalhar com metal no Brasil. Como vocês conseguem? Saiba como a ideia surgiu, como nos organizamos e qual objetivos queremos atingir com o Heavy Talk.

Em 2008 foi inaugurado o canal MoitaRock por dois amigos de escola: Cristian Kirsch (Mainha) e Lucas Steinmetz (eu, Moita). Sem a menor pretensão de fazer algo sério (a única ambição era falar bobagem e dar um rolê em shows), acabamos conseguindo por acidente uma entrevista com Andre Matos (ex-vocalista do Angra e Shaman). A repercussão foi boa e tivemos a ideia de seguir fazendo entrevistas.

Em 2014, após a saída de Cristian, foi fundado um novo canal, com a intenção de ser mais profissional, chamado Heavy Talk. Apesar de possuir a colaboração de Cristian em alguns períodos, quem passou a auxiliar na produção de conteúdo foi John Wins.

Hoje, com mais de 500 mil visualizações e pouco mais de 8 mil inscritos no canal, o Heavy Talk passa por uma ótima fase de crescimento, conseguindo criar também métodos de se sustentar financeiramente. Nesta publicação, explicaremos como é a estrutura e método de trabalho que utilizamos atualmente, caso seja do interesse de alguém fazer um projeto semelhante.

O Heavy Talk publica o que e quando?

Nosso blog hoje conta com um novo post por semana, que é publicado e divulgado em nossa página no Facebook às terças-feiras. Além disso, lançamos em nosso canal do YouTube um vídeo novo a cada quarta-feira, e o divulgamos em nossa página no Facebook nas quintas.

As publicações no blog são variadas. Listas temáticas, curiosidades, tutoriais, resenhas de CDs e shows, notícias importantes, artigos de opinião, etc. Outro tipo de conteúdo que passaremos a escrever são crônicas baseadas em experiências reais que passamos no Heavy Talk. Os dois integrantes do canal gostam muito de escrever (tendo ambos diversas reflexões e contos já publicados digitalmente). Então tivemos a ideia de romantizar parte de nossa experiência e lançar como crônicas ou contos aqui no blog.

Os vídeos quase sempre são entrevistas. Claro que isso é algo que demanda uma grande logística e muita organização. Logo, nem todas as semanas conseguiremos ter uma nova entrevista. Nesse caso, o vídeo publicado é um vlog. Os vlogs podem ser baseados em posts do blog ou podem ser simplesmente vídeos de tema geral.

Qual é a rotina do trabalho?

Tentamos sempre deixar agendado a maior quantidade possível de conteúdo. Trabalhamos bastante, possuímos uma série de compromissos profissionais, sociais e familiares paralelos ao Heavy Talk. Manter o trabalho adiantado e organizado é essencial. Então o primeiro ponto é: manter conteúdo pronto para ser publicado com antecedência.

É importante também possuir pautas frias. Isto é, conteúdo atemporal que pode vir a substituir aquela entrevista ou artigo que acabou não dando certo.

Sobre nossas entrevistas, existe uma rotina bem definida. Solicitamos credenciamento para shows e eventos com duas semanas de antecedência. Após isso, tentamos contato com a banda ou artista que queremos entrevistar uma semana antes. Publicamos recentemente um texto dando dicas de como conseguir contatar artistas e fazer boas entrevistas (clique aqui para ler).

Moro em uma cidade litorânea do Rio Grande do Sul chamada Tramandaí. A 20km daqui mora o John, em uma cidade chamada Osório. Ambos estamos a aproximadamente 1 hora e 10 minutos de Porto Alegre, onde acontece grande parte dos eventos que cobrimos.

No dia do compromisso marcado, vou de carro até Porto Alegre, passando em Osório para buscar o John. Ele é o roteirista do nosso conteúdo. É ele quem faz toda a parte de pesquisa e escreve as perguntas – ou seja, sempre que gostarem do nosso conteúdo, ele é a pessoa a que se deve dirigir os parabéns. No trajeto de casa para o show é onde debatemos novas ideias e estratégias e também repassamos as perguntas que serão feitas aos entrevistados.

Normalmente quem aparece nos vídeos sou eu, mas não é uma medida ditatorial. O espaço para o John à frente da câmera sempre esteve disponível (ele que prefere assim). De fato, houve uma vez em que ele conduziu a entrevista, pois eu estava com a garganta inflamada e não conseguia falar.

Ao chegar ao local, tentamos sempre realizar a entrevista antes do show, pois isso nos auxilia no retorno para casa mais cedo. Ambos trabalhamos bem no início da manhã e é muito comum que os eventos aconteçam aos domingos.

O vídeo é capturado com uma handycam HD da Sony e o áudio em um iPhone 7. É uma medida segura de manter o conteúdo gravado com qualidade e praticidade. A edição é feita por mim.

Nossa entrevistas também se tornam posts no blog, mas costumamos tratá-los como publicações extras. Em caso de vlogs, por exemplo, não vemos sentido em fazer uma publicação no site. Lançar um post com o vídeo da entrevista é algo bastante útil, pois podemos transcrever (senão toda a entrevista, alguns trechos importantes) para auxiliar o consumo do conteúdo por pessoas que não possam assistir ela em vídeo por algum motivo – estar no trabalho, caminhando na rua, em um lugar com barulho, etc.

Quais são os custos e como eles são financiados?

Se formos devidamente credenciados para o evento, excluem-se os gastos com ingressos. Dessa forma, para eventos na região de Porto Alegre, temos gastos com: combustível (80 reais), pedágios (26 reais), estacionamento (20 reais) e alimentação (individual de cada um). Arredondamos para 130 reais por evento.

Uma forma de otimizar nosso trabalho é tentar fazer diversas coisas em um mesmo dia. Em maio desse ano haveria em Porto Alegre um show do Angra no mesmo dia do Animextreme – evento que contaria com a participação de Detonator e Hangar. Conseguimos, em uma só viagem, entrevistar Rafael Bittencourt (veja aqui), Bruno Sutter (veja aqui), e todo o Hangar no quarto de hotel de Aquiles Priester (veja aqui). Na edição seguinte do Animextreme, foi confirmada a presença de Edu Falaschi. Fomos ao evento novamente e, após entrevistá-lo (veja aqui), seguimos até outro ponto de Porto Alegre para gravar entrevista com a banda mineira de hardcore Pense (veja aqui).

Quando precisamos cobrir eventos em localidades mais distantes, precisamos arcar também com custos de viagem e hospedagem, que pode variar muito. Hospedagem normalmente é algo em torno de 100 reais por dia. A viagem vai depender se será feita de avião ou de carro. Dois exemplos de coberturas de eventos mais distantes que realizamos foram a cobertura da gravação do DVD do Hangar (veja aqui) em Santa Catarina e da primeira edição do Maximus Festival em São paulo (veja aqui).

Depender de propagandas do YouTube para ganhar dinheiro é utopia. É algo que só pode ser alcançado por mega canais. No nicho do rock e heavy metal, o público não é tão abrangente (mas extremamente fiel e de muita qualidade). Por isso, precisamos criar outros meios.

Criamos um método de contribuição financeira voluntária através deste link aqui. Lá, quem acompanha nosso canal poderá nos ajudar com 10 reais por mês, descontados diretamente do cartão de crédito, ou com planos semestrais e anuais por boleto bancário. Esse valor equivale a menos de 40 centavos por dia. Completando agora 6 meses, estamos com arrecadação mensal de 410 reais.

Lembra que nosso custo médio para cada evento são 130 reais? Já conseguimos sustentar ao menos três viagens por mês!

Para compensar essas contribuições, criamos algo chamado Heavy Talk Club. Trata-se de um grupo no Facebook para os colaboradores financeiros. Lá, publicamos alguns vídeos exclusivos, sorteamos vários kits de rock e heavy metal, e também proporcionamos descontos de 50% no valor de ingressos de shows graças a uma parceria com a Abstratti Produtora.

Lógico que ainda ambicionamos crescer em muito esse valor para melhoria de estrutura. Nosso site acabou de ser refeito, pretendemos adquirir câmeras melhores e também em maior quantidade (para realizar entrevistas multi-ângulo), sem falar no grande desejo de realizar mais trabalhos em outros estados e países. Tudo isso ainda exige uma longa trajetória.

Fora a contribuição dos consumidores do nosso conteúdo, estamos inaugurando no início dos vídeos um bloco publicitário que permite até quatro anunciantes. Como possuímos a média de 30 mil views por mês, já tivemos nossos primeiros anunciantes. Para anunciar, o e-mail é contato@heavytalk.com.br.

Como o conteúdo é divulgado?

Possuímos 8 mil inscritos no YouTube, o que já nos dá um bom alcance na divulgação dos vídeos. Possuímos também 6 mil fãs na página do Facebook, o que também ajuda para divulgar qualquer tipo de conteúdo. Fora isso, existem 3 outras formas de divulgação muito potentes:

FaceAds: de tempos em tempos, destinamos algum valor acumulado ao longo dos meses na nossa arrecadação para impulsionar publicações. Ajuda principalmente para conseguir novos fãs na nossa página do Facebook e aumenta muito o número de visitantes no blog.

Compartilhamento de quem admira seu trabalho: Quem gosta do que você fez vai querer te ajudar a chegar a mais pessoas. Recebemos muitos compartilhamentos em nossas entrevistas e isso nos ajuda a chegar em círculos sociais que vão além dos nossos.

Compartilhamento dos artistas: Essa é uma dica muito importante para você que realiza algum trabalho com bandas ou artistas. Após publicar seu trabalho, sempre o envie para o artista! Se a qualidade estiver boa e o calendário de publicações do artista permitir, ele lhe ajudará. Temos alguns ótimos exemplos para dar.

Quando entrevistamos o Oficina G3 (clique aqui para ver), fizemos um post com o vídeo e a entrevista transcrita. Enviamos este vídeo para a página de cada um dos integrantes e também da banda. Eles possuem nada menos que 2 milhões de fãs na página. Compartilharam nosso post, nós recebemos 50 mil visitas no blog em apenas um dia, mais de 100 novos inscritos no canal e mais de 10 mil visualizações no vídeo.

Outros artistas que já compartilharam nosso conteúdo foram: Soulspell, Hibria, Angra, Edu Falaschi, Blaze Bayley, Masterplan, Pense, Matanza, Paulo Schroeber, Tierramystica, Ricardo Confessori, Hangar, Andre Matos, Kiara Rocks, Alírio Netto, Sebastian Bach, e provavelmente muitos outros que não vou lembrar agora.

Resumindo em poucas palavras: planejamento, organização, persistência, consistência, achar métodos alternativos, procurar apoio de outras pessoas. Desde o primeiro canal, são 8 anos de trabalho. Não é fácil, mas também não é impossível.

Web Editor/Journalist / SEO / Web Analyst at Koetz Advocacia and Produtor de Conteúdo at Heavy Talk Past: Cipex Idiomas Tramandaí and Jornal Dimensão Studied Journalism at Unisinos

 
Categoria: Artigos · News
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